Atualizado 09/08/2018

Contrato do Inter com Guerrero prioriza "proteção" a possível queda de liminar

Clube se resguarda diante do efeito suspensivo que atleta tem após testar positivo em exame antidoping

    Acertado extraoficialmente com Paolo Guerrero para ser o novo reforço em 2018, o Inter aproveita para agir em outra ponta do negócio com o centroavante de 34 anos. O objetivo é prevenir-se de quaisquer contratempos que possam haver com a suspensão de 14 meses por doping imposta ao peruano pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

 

    Antes da Copa do Mundo, o jogador obteve efeito suspensivo junto à Justiça Federal da Suíça, onde o principal órgão jurídico do futebol é sediado. O TAS, que havia ampliado a pena do atleta de seis para 14 meses, inclusive divulgou comunicado no qual informava não se opor ao recurso impetrado pelo estafe de Guerrero.

 

    Conforme apurou o GloboEsporte.com, o clube gaúcho tratou de costurar acordo com o atacante de 34 anos que privilegie uma espécie de quebra de contrato caso a justiça suíça derrube a liminar em vigor. Ou seja, se a punição for reativada, o vínculo de Guerrero com o Colorado pode ser encerrado por justa causa ou suspenso.

 

    O trunfo do Inter também diz respeito a cláusulas de risco e produtividade. O centroavante terá metas de participação em jogos – neste ano, atuou apenas sete vezes pelo Flamengo, já que cumpriu os seis meses da pena por doping. Além disso, receberá luvas pela assinatura com os gaúchos a serem quitadas em parcelas que se somarão ao salário – os valores totais giram na casa dos R$ 800 mil mensais.

 

    As altas cifras envolvidas no negócio só poderão ser cumpridas com o aporte do Grupo DIS, do empresário Delcir Sonda, que já ajudou o Colorado em outras contratações, como as de D’Alessandro e Nico López. A convicção vermelha está no fato de que o centroavante pode gerar ganho desportivo e também em projetos de marketing. É pública a dificuldade financeira pela qual vive o clube, com déficit de mais de R$ 60 milhões na temporada passada.

 

    O clube gaúcho ainda não fez o anúncio oficial e nem confirmou a contratação. Isso deverá acontecer assim que o peruano encerrar o vínculo com o Flamengo, com o término do contrato nesta sexta-feira. Salvo alguma reviravolta, Guerrero deve desembarcar em Porto Alegre no sábado para realizar exames médicos e ser apresentado.

 

    Relembre o caso

    Guerrero foi suspenso provisoriamente por 30 dias em novembro de 2017 após um exame antidoping realizado no confronto entre Argentina e Peru, pelas Eliminatórias da Copa, apontar presença da substância benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína. O jogador e a defesa alegam que houve contaminação em um chá tomado no período da concentração.

 

    Punido pela Fifa em um primeiro momento por um ano, o peruano conseguiu reduzir a pena para seis meses. Ele voltou a jogar em maio, apenas três dias após ser julgado em última instância pelo TAS, em Lausanne, na Suíça. Participou de três jogos do Flamengo, contra Inter, Ponte Preta e Chapecoense, antes de viajar com a seleção peruana para a Copa do Mundo.

 

    Porém, em novo julgamento, o TAS ampliou a pena de Guerrero para 14 meses, o que deixaria o atacante fora do Mundial. Em 31 de maio, o Tribunal Federal da Suíça concedeu efeito suspensivo, e o jogador está liberado para atuar desde então.

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